A Jovi, a mais recente aposta da gigante global de smartphones Vivo Mobile para o mercado brasileiro, está reescrevendo o manual do crescimento exponencial. Em um balanço divulgado pelo diretor de marketing Jorge Gloss ao Podcast Canaltech, a empresa revelou uma trajetória surpreendente: em apenas 10 meses de operação no país, saltou de um funcionário para uma equipe de mais de mil colaboradores.
Esse avanço meteórico é acompanhado por números igualmente impressionantes: seu portfólio já conta com 10 modelos de smartphones e uma rede de distribuição que ultrapassa 1.800 pontos de venda. Gloss, que foi o primeiro contratado da Jovi no Brasil em junho de 2024, testemunhou a construção de toda a operação do zero.
A Estratégia por Trás do Fenômeno Jovi
Por Que Jovi, e Não Vivo? Uma Adaptação Estratégica
Uma curiosidade na história da Jovi é a escolha de seu nome. Embora seja um braço da Vivo Mobile — a quinta maior fabricante de smartphones do mundo, com 18% de participação de mercado na China no quarto trimestre de 2024, segundo a Counterpoint Research —, a marca precisou adotar um nome diferente no Brasil. A razão? Evitar qualquer confusão com a operadora de telecomunicações Vivo, já consolidada no país.
Essa foi a primeira vez que a Vivo Mobile precisou mudar seu nome em mais de 60 países de atuação. Para Jorge Gloss, no entanto, a exigência se transformou em uma vantagem. “A gente tem uma folha em branco que a gente precisa construir com base nessa cultura, com esse tamanho que a gente tem no mundo, mas de uma forma nova”, destacou o executivo, ressaltando a liberdade para inovar e se adaptar localmente.
Fabricação Nacional e Olhar Atento ao Consumidor Brasileiro
Lançando seus primeiros produtos em maio de 2025, a Jovi apostou na fabricação local, com uma linha de montagem na Zona Franca de Manaus. Essa decisão estratégica permite à empresa ajustar especificações de produtos diretamente para as necessidades e preferências do consumidor brasileiro, sem a burocracia de aprovações globais demoradas.
Um exemplo notável dessa abordagem é a linha Y. Após identificar a paixão dos brasileiros por selfies, a Jovi trocou a câmera frontal de 8 megapixels por uma de 32 MP, uma mudança direta impulsionada pelo feedback local. Essa atenção aos detalhes é o que diferencia a marca no mercado.
Inovação Impulsionada por Dados e Observação
A Jovi investiu pesado em pesquisa de mercado, realizando mais de 4 mil pesquisas com consumidores em seus primeiros 10 meses. Jorge Gloss compartilha um caso ilustrativo de como a observação atenta é crucial: um entrevistado reclamava de dores no uso do celular durante toda a pesquisa, mas sem mencionar a bateria, enquanto mantinha um power bank conectado ao aparelho o tempo inteiro. “Você tem que estar com um olhar muito atento para pegar esses detalhes”, afirmou Gloss.
Foi esse tipo de percepção que orientou o desenvolvimento de produtos como o V70, lançado em março de 2026, que chegou ao mercado com uma impressionante bateria de 7.000 mAh, atendendo a uma demanda real (e por vezes não verbalizada) por maior autonomia.
Novidades e Planos Futuros da Jovi
O futuro da Jovi no Brasil parece promissor. A empresa confirmou a chegada da aguardada linha X ao país ainda este ano. Embora Gloss não tenha revelado detalhes sobre modelos ou datas específicas, ele indicou que a decisão reflete a maturidade da operação brasileira para absorver um lançamento de topo de linha. “O consumidor está com anseio de ter essa opção no mercado”, pontuou o diretor.
Além de novos produtos, a Jovi também planeja expandir sua presença física, complementando a unidade já existente no Shopping Ibirapuera, em São Paulo, com mais lojas para fortalecer o contato direto com seus clientes.
Com um crescimento exponencial, uma estratégia de adaptação local e um foco inabalável no consumidor, a Jovi se consolida como uma força a ser reconhecida no dinâmico mercado de smartphones brasileiro.
